quinta-feira, 12 de novembro de 2009

.sobre mulheres e mini saias.




De tudo que é nego torto, do mangue e do cais do porto
ela já foi namorada.
O seu corpo é dos errantes
dos cegos, dos retirantes
é de quem não tem mais nada.
Dá-se assim desde menina
na garagem, na cantina
atrás do tanque, no mato.
É a rainha dos detentos
das loucas, dos lazarentos
dos moleques do internato.


E também vai amiúde
com os velhinhos sem saúde
Eeas viúvas sem porvir.
Ela é um poço de bondade
e é por isso que a cidade
vive sempre a repetir:

Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

 
Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim
A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geleia
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo – Mudei de ideia

– Quando vi nesta cidade
– Tanto horror e iniquidade
– Resolvi tudo explodir
– Mas posso evitar o drama
– Se aquela formosa dama
– Esta noite me servir


Essa dama era Geni
Mas não pode ser Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

Mas de fato, logo ela
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro
Acontece que a donzela
– e isso era segredo dela –
Também tinha seus caprichos
E a deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos


Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão


Vai com ele, vai Geni
Vai com ele, vai Geni
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni


Foram tantos os pedidos
Tão sinceros, tão sentidos
Que ela dominou seu asco
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco
Ele fez tanta sujeira
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelim prateado
Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir


Joga pedra na Geni
Joga bosta na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

[ geni, burcas e o zepelin]

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

.mercedes.


Sólo le pido a Dios
Que el dolor no me sea indiferente,
Que la reseca muerte no me encuentre
Vacío y solo sin haber hecho lo suficiente.


Sólo le pido a Dios
Que lo injusto no me sea indiferente,
Que no me abofeteen la otra mejilla
Después que una garra me arañó esta suerte.


Sólo le pido a Dios
Que la guerra no me sea indiferente,
Es un monstruo grande y pisa fuerte
Toda la pobre inocencia de la gente.


Sólo le pido a Dios
Que el engaño no me sea indiferente
Si un traidor puede más que unos cuantos,
Que esos cuantos no lo olviden fácilmente.


Sólo le pido a Dios
Que el futuro no me sea indiferente,
Desahuciado está el que tiene que marchar
A vivir una cultura diferente

quarta-feira, 2 de setembro de 2009


.temos guardado um silêncio bastante parecido com a estupidez.
[discurso de allende, passeata dos pinguins chilenos]

.o mundo anda tão complicado.


Gosto de ver você dormir
Que nem criança com a boca aberta
O telefone chega sexta-feira
Aperto o passo por causa da garoa
Me empresta um par de meias
A gente chega na sessão das dez
Hoje eu acordo ao meio-dia
Amanhã é a sua vez
Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você.
Temos que consertar o despertador
E separar todas as ferramentas
Que a mudança grande chegou
Com o fogão e a geladeira e a televisão
Não precisamos dormir no chão
Até que é bom, mas a cama chegou na terça
E na quinta chegou o som
Sempre faço mil coisas ao mesmo tempo
E até que é fácil acostumar-se com meu jeito
Agora que temos nossa casa
é a chave que sempre esqueço
Vamos chamar nossos amigos
A gente faz uma feijoada
Esquece um pouco do trabalho
E fica de bate-papo
Temos a semana inteira pela frente
Você me conta como foi seu dia
E a gente diz um pro outro:-
Estou com sono, vamos dormir!
Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você
Quero ouvir uma canção de amor
Que fale da minha situação
De quem deixou a segurança de seu mundo
Por amor
[bansky e r. russo]

quarta-feira, 19 de agosto de 2009


Não, meu bem, não adianta bancar o distante: lá vem o amor nos dilacerar de novo...


caio f. e frida k.

.aos que virão depois de nós.


Eu vivo em tempos sombrios.
Uma linguagem sem malícia é sinal de estupidez,uma testa sem rugas é sinal de indiferença.
Aquele que ainda ri é porque ainda não recebeu a terrível notícia.

Que tempos são esses,quando falar sobre flores é quase um crime.
Pois significa silenciar sobre tanta injustiça?
Aquele que cruza tranqüilamente a rua
já está então inacessível aos amigos
que se encontram necessitados?
É verdade: eu ainda ganho o bastante para viver.
Mas acreditem: é por acaso.
Nada do que eu faço
Dá-me o direito de comer quando eu tenho fome.
Por acaso estou sendo poupado.
(Se a minha sorte me deixa estou perdido!)


Dizem-me: come e bebe!
Fica feliz por teres o que tens!
Mas como é que posso comer e beber,
se a comida que eu como, eu tiro de quem tem fome?
se o copo de água que eu bebo, faz falta a quem tem sede?
Mas apesar disso, eu continuo comendo e bebendo.

Eu queria ser um sábio.

Nos livros antigos está escrito o que é a sabedoria:
Manter-se afastado dos problemas do mundo
e sem medo passar o tempo que se tem
para viver na terra;
Seguir seu caminho sem violência,
pagar o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, mas esquecê-los.
Sabedoria é isso!

Mas eu não consigo agir assim.

É verdade, eu vivo em tempos sombrios!

(...)


Brecht

quinta-feira, 6 de agosto de 2009



Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar de remar também.

c.f.a. e s.s.

terça-feira, 28 de julho de 2009

.bleu.


.:estava na tristeza que dava dó
vivia vagamente e andava só
mas eis que de repente
me apareceu um brotinho lindo
que me convenceu...
dizendo que eu devia
vestir azul
que azul é cor do céu
e seu olhar também
então o seu pedido
me incentivou...
vesti azul!
minha sorte então mudou:.

quinta-feira, 21 de maio de 2009


.mijam em nós e os jornais dizem: chove.

terça-feira, 12 de maio de 2009


.nine out of ten movie stars make me cry
I'm alive.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

.palhaços e bailarinas.


Em toda canção, o palhaço é um charlatão
Esparrama tanta gargalhada da boca pra fora
Dizem que seu coração pintado
Toda tarde de domingo chora

valsa dos clowns



.a democracia no brasil foi sempre um lamentável mal entendido.


.sergio buarque de holanda: raízes do brasil.

.dialética.


É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz

Mas acontece que eu sou triste...


[ vinícius e van gogh ]

sexta-feira, 8 de maio de 2009

.a linguagem, as coisas e seus nomes.


Na era vitoriana era proibido fazer menção às calças na presença de uma senhorita.

Hoje em dia, não fica bem dizer certas coisas perante a opinião pública:

O capitalismo exibe o nome artístico de economia de mercado;
O imperialismo se chama globalização;
As vítimas do imperialismo se chamam países em via de desenvolvimento, que é como chamar de meninos aos anões;

O oportunismo se chama pragmatismo;

A traição se chama realismo;

Os pobres se chamam carentes, ou carenciados, ou pessoas de escassos recursos;

A expulsão dos meninos pobres do sistema educativo é conhecida pelo nome de deserção escolar;

O direito do patrão de despedir sem indenização nem explicação se chama flexibilização laboral;

A linguagem oficial reconhece os direitos das mulheres entre os direitos das minorias, como se a metade masculina da humanidade fosse a maioria;

Em lugar de ditadura militar, se diz processo.

As torturas são chamadas de constrangimentos ilegais ou também pressões físicas e psicológicas;

Quando os ladrões são de boa família, não são ladrões, são cleptomaníacos;

O saque dos fundos públicos pelos políticos corruptos atende ao nome de enriquecimento ilícito;

Chamam-se acidentes os crimes cometidos pelos motoristas de automóveis;

Em vez de cego, se diz deficiente visual;

Um negro é um homem de cor;

Onde se diz longa e penosa enfermidade, deve-se ler câncer ou AIDS;

Mal súbito significa infarto;

Nunca se diz morte, mas desaparecimento físico;

Tampouco são mortos os seres humanos aniquilados nas operações militares: os mortos em batalha são baixas e os civis, que nada têm a ver com o peixe e sempre pagam o pato, danos colaterais;

Em 1995, quando das explosões nucleares da França no Pacífico Sul, o embaixador francês na Nova Zelândia declarou: “Não gosto da palavra bomba. Não são bombas. São artefatos que explodem”;

Chama-se Conviver alguns dos bandos assassinos da Colômbia, que agem sob proteção militar;

Dignidade era o nome de um dos campos de concentração da ditadura chilena e Liberdade o maior presídio da ditadura uruguaia;

Chama-se Paz e Justiça o grupo militar que, em 1997, matou pelas costas quarenta e cinco camponeses, quase todos mulheres e crianças, que rezavam numa igreja do povoado de Acteal, em Chiapas.


galeano e munch

quinta-feira, 7 de maio de 2009

.amanhã de manhã.



[menina amanhã de manhã
quando a gente acordar quero te dizer
que a felicidade vai desabar sobre os homens
vai desabar sobre os homens
vai desabar sobre os homens
na hora ninguém escapa
debaixo da cama, ninguém se esconde
a felicidade vai desabar sobre os homens
vai desabar sobre os homens
vai desabar sobre os homens]



tom zé e matisse

quarta-feira, 6 de maio de 2009

.como se fosse a primavera.


de que calada maneira
você chega assim sorrindo
como se fosse a primavera
eu morrendo
e de que modo sutil
me derramou na camisa
todas as flores de abril
quem lhe disse que eu era
riso sempre e nunca pranto?
como se fosse a primavera
não sou tanto
no entanto, que espiritual
você me dar uma rosa
de seu rosal principal
de que calada maneira
você chega assim sorrindo
como se fosse a primavera
eu morrendo
eu morrendo.


[chico e monet]

.pagu.


a liberdade e a prisão
ter um barco que percorra distâncias incríveis
saber remendar um sapato
encontrar um amor
amor de verdade
ser vento, ser luz, fogo ou carvão
tudo, tudo, tudo
menos esta ratoeira

.outono.


quero apenas cinco coisas..
primeiro é o amor sem fim
a segunda é ver o outono
a terceira é o grave inverno
em quarto lugar o verão
a quinta coisa são teus olhos
não quero dormir sem teus olhos.
não quero ser... sem que me olhes.
abro mão da primavera para que continues me olhando.

p.n.

.o meu amor.


O meu amor tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo, ri do meu umbigo
E me crava os dentes

Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que me deixa maluca, quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba mal feita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios, de me beijar os seios
Me beijar o ventre e me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo como se o meu corpo
Fosse a sua casa

Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz
[chico e toulouse lautrec]

segunda-feira, 4 de maio de 2009

.rua do lavradio.



Para compreender a psicologia da rua não basta gozar-lhe as delícias como se goza o calor do sol e o lirismo do luar. É preciso ter espírito vagabundo, cheio de curiosidades malsãs e os nervos com um perpétuo desejo incompreensível, é preciso ser aquele que chamamos flâneur e praticar o mais interessante dos esportes — a arte de flanar. É fatigante o exercício?Para os iniciados sempre foi grande regalo. A musa de Horácio, a pé, não fez outra coisa nos quarteirões de Roma. Sterne e Hoffmann proclamavam-lhe a profunda virtude, e Balzac fez todos os seus preciosos achados flanando. Flanar! Aí está um verbo universal sem entrada nos dicionários, que não pertence a nenhuma língua! Que significa flanar? Flanar é ser vagabundo e refletir, é ser basbaque e comentar, ter o vírus da observação ligado ao da vadiagem. Flanar é ir por aí, de manhã, de dia, à noite, meter-se nas rodas da populaça, admirar o menino da gaitinha ali à esquina, seguir com os garotos o lutador do Cassino vestido de turco, gozar nas praças os ajuntamentos defronte das lanternas mágicas, conversar com os cantores de modinha das alfurjas da Saúde, depois de ter ouvido dilettanti de casaca aplaudirem o maior tenor do Lírico numa ópera velha e má; é ver os bonecos pintados a giz nos muros das casas, após ter acompanhado um pintor afamado até a sua grande tela paga pelo Estado; é estar sem fazer nada e achar absolutamente necessário ir até um sítio lôbrego, para deixar de lá ir, levado pela primeira impressão, por um dito que faz sorrir, um perfil que interessa, um par jovem cujo riso de amor causa inveja. É vagabundagem? Talvez. Flanar é a distinção de perambular com inteligência. Nada como o inútil para ser artístico. Daí o desocupado flâneur ter sempre na mente dez mil coisas necessárias, imprescindíveis, que podem ficar eternamente adiadas.


joão do rio: a alma encantadora das ruas.

.trabalhadores.


você não sente nem vê
mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
que uma nova mudança em breve vai acontecer
e o que há algum tempo era jovem novo
hoje é antigo, e precisamos todos rejuvenescer...
*
no presente a mente, o corpo é diferente
e o passado é uma roupa que não nos serve mais
*
e precisamos todos rejuvenescer ....
*
[ belchior, velha roupa colorida]

quinta-feira, 30 de abril de 2009

maio de 68


{seja realista, exija o impossível}

1 de maio



[mas ele desconhecia
esse fato extraordinário:
que o operário faz a coisa
e a coisa faz o operário.
de forma que, certo dia
à mesa, ao cortar o pão
o operário foi tomado
de uma súbita emoção
ao constatar assombrado
que tudo naquela mesa
– garrafa, prato, facão –
era ele quem os fazia
ele, um humilde operário
um operário em construção.]

[tarsila operários: vinícius operário em construção]

quarta-feira, 29 de abril de 2009

.minha carne é de carnaval, meu coração é igual.


[o jardim, miró]


se acaso me quiseres, sou dessas mulheres que só dizem sim. por uma coisa à toa, uma noitada boa, um cinema, um botequim. e se tiveres renda aceito uma prenda, qualquer coisa assim. como uma pedra falsa, um sonho de valsa ou um corte de cetim. e eu te farei as vontades, direi meias verdades sempre à meia luz. e te farei, vaidoso, supor, que és o maior e que me possui. mas na manhã seguinte não conte até vinte, te afasta de mim. pois já não vales nada, és página virada, descartada do meu folhetim.

terça-feira, 28 de abril de 2009



saudade é um pouco como fome. só passa quando se come a presença. mas as vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.


:saudade por clarice lispector:


.: eu faço samba e amor até mais tarde e tenho muito sono de manhã :.

{ chico e klimt: o beijo }

segunda-feira, 27 de abril de 2009

25 de abril


sei que está em festa, pá
fico contente e enquanto estou ausente guarda um cravo para mim.
eu queria estar na festa, pá
com a tua gente e colher pessoalmente uma flor no teu jardim.
sei que há léguas a nos separar
tanto mar, tanto mar.
sei, também, que é preciso, pá
navegar, navegar.
lá faz primavera, pá
cá estou doente
manda urgentemente algum cheirinho de alecrim.
foi bonita a festa, pá
fiquei contente
ainda guardo renitente um velho cravo para mim.
já murcharam tua festa, pá
mas certamente esqueceram uma semente nalgum canto de jardim...
***
*** revolução dos cravos ***

.:liubliú:.


não acabarão nunca com o amor,
nem as rusgas,
nem a distância.
está provado,
pensado,
verificado.
aqui levanto solene
minha estrofe de mil dedos
e faço o juramento:
Amo
firme,
fiel

e verdadeiramente.

[maiakovski: redenção: para lila]

.tempo, tempo.

meu tempo é hoje. não vivo no passado. é o passado que vive em mim.

( p. da viola e dali: sobre o tempo )

[deixe-me dizer algo que pode parecer ridículo: um verdadeiro revolucionário é movido por grandes sentimentos de amor; amor à humanidade, à justiça e à verdade...]

[benicio del toro: de che no filme do soderbergh]



quarta-feira, 22 de abril de 2009



[musas de Botero contra a anorexia]

acho que quando a nossa geração tiver de fazer um balanço dos seus merecimentos e misérias para ser julgada, podemos todos usar esta credencial: fomos contemporâneos do Chico Buarque. e exigir tratamento especial.


[chico buarque por luiz fernando veríssimo]

[um banqueiro é um sujeito que empresta seu guarda-chuva quando o sol está brilhando e quer de volta no instante em que começa a chover.]

m. twain

.o amor me pegou.


se no chão do amor estava,
nesse chão continuei então.
deitada sob o amor,
debaixo do amor,
no ringue do amor,
o amor me beijou,
me beijou, me beijou.
***
[ elisa lucinda: presente de aniversário]

segunda-feira, 20 de abril de 2009


o senhor saiba: em toda a minha vida pensei por mim, fôrro, sou nascido diferente. eu sou é eu mesmo. diverjo de todo o mundo... eu quase que nada sei. mas desconfio de muita coisa. o senhor concedendo, eu digo: para pensar longe, sou cão mestre - o senhor solte em minha frente uma idéia ligeira, e eu rastreio essa por fundo de todos os matos. amém!

joão guimarães rosa

[ grande sertão:veredas, em curso ]